domingo, 6 de dezembro de 2015

"Não é a Igreja que faz a missão, mas é a missão que faz a Igreja", afirma papa Francisco


Rezemos e trabalhemos para que a Igreja seja sempre mais segundo o modelo dos Atos dos Apóstolos. Deixemo-nos impulsionar pela força do Evangelho e do Espírito Santo; saiamos dos nossos recintos, emigremos dos territórios em que, às vezes, somos tentados a nos fechar. Assim seremos capazes de caminhar e semear além.” Esta é a recomendação que o Santo Padre Francisco dirigiu aos participantes da Plenária da Congregação para a Evangelização dos Povos, recebidos em audiência em 3 de dezembro, ao final da manhã.

Depois da saudação do prefeito do Dicastério Missionário, cardeal Fernando Filoni, o papa recordou no seu discurso a primeira viagem apostólica à África, que acaba de se concluir, “onde toquei com a mão o dinamismo espiritual e pastoral de numerosas jovens Igrejas daquele Continente, como também as graves dificuldades em que vive boa parte da população. Pude constatar que, lá onde existem necessidades, há quase sempre uma presença da Igreja pronta a curar as feridas dos mais necessitados, nos quais reconhecer o corpo chagado e crucificado do Senhor Jesus. Quantas obras de caridade, de promoção humana! Quantos anônimos bons samaritanos trabalham todos os dias nas missões!”

A Assembleia Plenária do Dicastério Missionário inspirou os seus trabalhos nos 50 anos do Decreto conciliar Ad gentes e nos 25 anos da encíclica Redemptoris Missio, e, referindo-se a esses documentos, o papa reiterou que “a missão não responde em primeiro lugar a iniciativas humanas; protagonista é o Espírito Santo, seu é o projeto. E a Igreja é serva da missão. Não é a Igreja que faz a missão, mas é a missão que faz a Igreja. Por isso, a missão não é o instrumento, mas o ponto de partida e o fim”.

O mundo contemporâneo, “mesmo quando é acolhedor para com os valores evangélicos do amor, da justiça, da paz e da sobriedade, não mostra a mesma disponibilidade em relação à pessoa de Jesus: não o considera nem Messias, nem Filho de Deus”, prosseguiu o papa, que destacou: “Nesta situação, a missão ad gentes funciona como motor e horizonte da fé...A missão, de fato, é uma força capaz de transformar a Igreja no seu interior antes mesmo que a vida dos povos e das culturas”.

Citando por exemplo Paulo e Barnabé, que “não tinham o Dicastério missionário por trás. E mesmo assim anunciaram a Palavra, deram vida a várias comunidades e derramaram o sangue pelo Evangelho”, o papa Francisco encorajou: “ ‘Ir’ pertence ao Batismo, e os seus confins são os do mundo. Por isso, continuem a se empenhar para que o espírito da missão ad gentes anime o caminho da Igreja, e esta saiba sempre ouvir o clamor dos pobres e dos distantes, encontrar todos e anunciar a alegria do Evangelho”.

Fonte: Rádio Vaticano

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