sexta-feira, 22 de julho de 2011

O que acontece se a borboleta não sai do casulo?


Jovens missionários, sempre solidários. Já tenho andado em cinco estado assessorando encontros da Juventude missionária. Pude perceber quanta animação e vivacidade da Igreja expressada no rosto juvenil, mas ainda percebemos algo muito próximo de nós enquanto juventude missionária que deve ser dissipado: o reducionismo missionário.

Percebe-se em meio a nossa Igreja uma grande abertura a missão, vários encontros de animação missionária vêm acontecendo no nosso país, vários temas têm a missão como propulsora de reflexão. Mas, ainda é muito tímida a abertura da missão enquanto saída a outras realidades.

Missões “ad intra” dentro da própria comunidade, paróquia, diocese é sim importante, mas a juventude missionária deve estar atenta que ela tem por carisma a missão além fronteira, o jovem missionário deve perceber que ele é chamado a ir onde ninguém quer ir é neste quesito que a JM vem para fazer a diferença.

Percebi em alguns lugares uma tendência muito forte em querer simplificar, reduzir missões em apenas momentos e lugares, enquanto que a missão deveria permear em todas as realidades das atividades pastorais da Igreja.

Não deveríamos fazer nenhum encontro de animação missionária na Igreja, ora, se a Igreja peregrina é por sua natureza missionária, logo toda a atividade da Igreja deveria ser missionária, então não precisaria de encontros para animar ou lembrar que somos todos missionários.

Ilustrando: Uma lagarta se transforma em poucos dias em uma exuberante borboleta. Bem, enquanto é uma lagarta, o único trabalho deste bichinho é comer, comer, e reservar, reservar… Quando já existe reserva suficiente a lagarta pára de comer, encontra um lugar seguro, e torna-se uma pupa. Uma pupa nunca come e raramente se move.

O mais impressionante acontece mesmo dentro do casulo construído para proteger todo o processo de metamorfose. No interior do casulo, grande parte do corpo da lagarta é atacado pelo mesmo tipo de suco ácido, usado para digerir a comida ingerida na fase de lagarta, os tecidos vão sendo destruídos de dentro para fora em um processo chamado de histólise.

Mas, nem tudo é destruído, uma parte do tecido antigo ainda será utilizado. Algumas células antigas são do tipo indiferenciadas, isso significa que são como as células-tronco, que podem se transformar em qualquer tipo de célula, elas permaneceram adormecidas na fase de lagarta. São essas células que se tornam partes importantes da futura borboleta. Para isso, passam por um processo bioquímico chamado de histogênese, construindo ininterruptamente um novo coração, novos músculos e sistema digestivo.

Durante esse tempo, apesar da destruição e reconstrução, a borboleta não pode excretar nada, e assim, todos os resíduos se acumulam e só poderá se livrar deles quando romper o casulo e deixar ali a sujeira. A saída do casulo requer muita energia. Uma série de movimentos força a pele velha contra a direção oposta à cabeça. Os movimentos são lentos, porém fortes e pontuais. O tempo de transformação e emersão é bem variado em cada espécie. Assim que a borboleta provoca as rachaduras no casulo, começam fazer resistência por esse lado. Quando se é completamente livre, libera o mecônio (resíduos nitrogenados já citados acima) e então expande as asas para bombear o líquido hemolinfático para as veias da asa e então espera o endurecimento das asas que lhes permitem voar.

Como as borboletas os grupos de juventude missionária não devem viver para si, por conseqüência deverá levar a comunidade também a viver esta dinâmica sair de si, o próprio Jesus em momento algum viveu para si, toda sua vida foi voltada ao outro.

Assim queridos jovens, venho exortar que a JM tenha sempre em seu ideal esta realidade. Jovens sejamos borboletas que saiam se queremos viver a prática missionária que o próprio Jesus nos convocou. Caso contrário a borboleta nunca poderá mostrar o brilho de suas asas nem contribuir para que a natureza se torne mais dinâmica e bela.

Pe. Marcelo Gualberto
Secretário Nacional da Pont. Obra da Propagação da Fé
Artigo publicado na Revista Missões - Ed. Julho/Agosto 2011

2 comentários:

Vander! disse...

muito interessante seu blog, adorei a resenha. Achei interessante os tópicos abordados!
to te seguindo se quiser da uma olhada no blog e segue ai.
http://www.dioggo8.blogspot.com

Dayane disse...

Realmente, a verdadeira essência do missionário é o conhecimento e a capacidade de ser "ad gente", de se propor a abrir caminhos por terras estranhas, onde outros não estiveram ainda. Seguindo o exemplo de Jesus e semeando amor, esperança e acima de tudo fé.
É preciso ter coragem, é preciso ter confianã e fé. Eu tenho e quero transmiti-las aos outros jovens.