sábado, 27 de janeiro de 2018


A Juventude Missionária (JM) do Brasil realizou sua terceira Missão Sem Fronteiras. A iniciativa promovida pela Pontifícia Obra da Propagação da Fé (POPF) aconteceu nos dias 11 e 21 de janeiro, na paróquia Santa Cruz, em comunhão com a paróquia Santa Isabel, ambas localizadas na cidade de Viamão, região metropolitana de Porto Alegre (RS). Como síntese da experiência, os jovens participantes divulgaram uma carta com as conclusões do encontro. Confira abaixo o texto na íntegra.

CARTA CONCLUSIVA DA III MISSÃO SEM FRONTEIRAS JUVENTUDE MISSIONÁRIA NO BRASIL
“Nós, da Juventude Missionária do Brasil, impulsionados pelo Espírito Santo, vivenciamos a experiência da III Missão Sem Fronteiras na cidade de Viamão (RS). Motivados pela Alegria do Evangelho, atendemos ao apelo do Papa Francisco de ser Igreja em saída, que vai ao encontro, escuta, acolhe e se solidariza com as diferentes realidades. Assim, saudamos as juventudes na unidade do Encontro com o Ressuscitado.

Iluminados pelo tema “Juventudes, Fé e Discernimento” e o lema “Procura ser um exemplo para quem crê” (1Tm 4,12), entre os dias 11 a 21 de janeiro de 2018, 52 jovens do Brasil e Paraguai, percorreram o caminho de discípulos missionários na Rede de Comunidades Santa Cruz e na Paróquia Santa Isabel, situadas em contexto urbano. Partilhando ideias, experiências, reflexões e percepções, pudemos fortalecer a espiritualidade missionária que nos conduziu às diversas realidades da região.


Dentre as realidades encontradas, a comunidade assentada Filhos de Sepé, com sua história de luta, fé e coragem há quase vinte anos, alimenta nossa esperança na busca de uma terra sem males. O acolhimento da comunidade favoreceu um clima de escuta fraterna das vidas compartilhadas, onde a cultura do cuidado com a vida e a casa comum são sinais visíveis do Reino de Deus. Este testemunho e profetismo nos inspiram a nadar contra a corrente do individualismo e capitalismo em que a sociedade está alicerçada.

Seguindo um Deus que se fez peregrino em Jesus de Nazaré, visitamos as famílias em suas casas, efetivando a proposta da Juventude Missionária. Saímos às ruas no desejo de motivar as pessoas a um encontro pessoal e comunitário. Buscamos acolher as angústias, medos e alegrias, a súplica pela segurança e convivência fraterna. Esse caminho reforçou o nosso protagonismo de agentes transformadores da realidade, como “sal da terra e luz do mundo” (cf Mt 5, 13-14).

A fim de favorecer a promoção humana foram propostas oficinas com as temáticas de Saúde, Ecologia e Cidadania. Dentro de uma perspectiva de prevenção, a oficina de Saúde levou os participantes a conhecer práticas que melhorem o bem estar e a qualidade de vida. A oficina de Ecologia, num diálogo interativo com a comunidade que já tem iniciativas para este trabalho com coleta, separação e reutilização de materiais reciclados, buscou aprofundar o conhecimento e motivou a permanecer no exemplo de consciência do cuidado com o meio ambiente. A oficina de Cidadania orientou os participantes sobre o acesso a determinados programas do governo destinado à população e reforçou o engajamento político dos jovens na construção de uma sociedade ética.


Atentos aos sinais dos tempos e instigados por nossa fé e pelas realidades encontradas, fazemos ecoar a experiência que vivenciamos e motivamos os grupos de nossas comunidades a fortalecer o carisma missionário, indo ao encontro das periferias existenciais e sociais. Assim, nos comprometemos a ser Igreja em estado permanente de missão, dispostos a sair de nossos comodismos e a percorrer novos caminhos em direção às pessoas esquecidas e descartadas.

Que a Mãe Aparecida, primeira discípula missionária, nos abençoe, acompanhe e seja nossa inspiração.

Jovens missionários, sempre solidários!”

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018


Acontece nas paróquias Santa Cruz e Santa Isabel, ambas localizadas na cidade de Viamão, região metropolitana de Porto Alegre (RS), a III Missão Sem Fronteiras da Juventude Missionária (JM). A iniciativa promovida pela Pontifícia Obra da Propagação da Fé (POPF) reúne este ano mais de 60 jovens de todo o Brasil. A missão teve início no dia 11 de janeiro e se estende até o dia 21.

Na última segunda-feira, 15, os jovens vivenciaram um momento de aprendizado e comunhão com a natureza na “Quinta da Estância”, uma fazenda de turismo rural pedagógico que tem como objetivo transformar experiências desafiadoras em conhecimento aplicado à vida. Esta atividade tinha como meta proporcionar aos jovens a dinâmica do Bem Viver, em contato com a natureza e consigo mesmos, estimulando-os com tarefas a serem realizadas em equipe, fomentando o espírito de liderança e cooperação. O dia culminou com a Santa Missa realizada à sombra de uma figueira de mais de 300 anos.

“É motivo de muita alegria podermos celebrar juntos a Eucaristia debaixo desta figueira. Ela me recorda a África, onde as árvores eram o local de encontro da comunidade e a Igreja aonde partilhávamos a Palavra e a Eucaristia”, afirmou o secretário nacional da Obra da Propagação da Fé, padre Badacer Neto. “A partir destas palavras, lembramos a universalidade da missão, que não tem fronteiras, fazendo-se presente nas mais diversas realidades, promovendo a fraternidade pelo anúncio do Evangelho”.


Logo no dia 16, os jovens iniciaram as visitas missionárias no Assentamento Filhos de Sepé, onde em torno de 400 famílias residem há 18 anos em uma área de 10.500 hectares considerada a maior produtora de arroz orgânico da América Latina. A acolhida foi feita pelo padre Inácio Messa e por lideranças do Assentamento, que apresentaram a história e a organização do lugar. No decorrer do dia, os jovens foram percebendo que a realidade do Assentamento é de pessoas trabalhadoras, que lutam pelos seus direitos e que fazem a experiência do trabalho comunitário. As histórias compartilhadas ajudaram a desmistificar muitos preconceitos em relação aos membros do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), diferente muitas vezes daquilo que a grande mídia apresenta.

“Basicamente, toda a fonte de renda do Assentamento vem da cultura do arroz orgânico, criação de gado leiteiro e venda de hortaliças nas feiras da região metropolitana de Porto Alegre. Por ser uma área de preservação ambiental tudo que é produzido dentro dessa região é de origem orgânica, sem uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos”, destacou uma moradora do local.


Na passagem pelas casas, os missionários se depararam com diferentes realidades de jovens, crianças, idosos, todos com suas histórias de vida e abertos a alegria do Evangelho, como destaca Gabriel, jovem do Acre, que se emocionou ao ouvir a prece de uma criança lembrando das outras crianças que não têm lar para morar. “São nesses momentos que percebemos que nós não estamos aqui para ensinar, mas sim para aprender juntos com cada história, conversa e risada, pois nós somos reflexo de Deus para essas pessoas e elas são reflexo de Deus para nós”, afirmou Gabriel.

A primeira Missão Sem Fronteiras ocorreu em 2015 no município de Ananindeua, região metropolitana do Pará. Já a segunda experiência em Itapebuçu, distrito de Maranguape no sertão do Ceará.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018


Os participantes da III Missão Sem Fronteiras da Juventude Missionária (JM) começaram a experiência com retiro e um momento de formação. A iniciativa promovida pela Pontifícia Obra da Propagação da Fé (POPF) acontece nos dias 11 a 21 de janeiro, na paróquia Santa Cruz em comunhão com a paróquia Santa Isabel, ambas localizadas na cidade de Viamão, região metropolitana de Porto Alegre (RS).

Após serem acolhidos pelas famílias na noite do dia 11, os jovens tiveram nos dias 12 e 13, uma formação, que aconteceu na paróquia de Santa Isabel. No primeiro dia, os 60 jovens provenientes de todo o Brasil e alguns do Paraguai, foram convidados a refletir sobre o “caminho” e o “encontro”. O jovem Daniel Bittencourt, coordenador da Juventude Missionária da Bahia, abriu encontro com uma dança circular e convidou os jovens a refazerem a linha do tempo de suas vidas. Para o jovem Willian Jobim, do Rio Grande do Sul, “o momento levou a observar tudo que estava ao nosso redor. Assim deve ser feito todos os dias. Somos convidados a não olhar apenas para frente, mas perceber tudo e todos que estão ao nosso redor”.

O 4º Congresso Missionário Nacional que ocorreu em setembro de 2017, em Recife (PE), que teve como eixos de reflexão o testemunho e o profetismo; a sinodalidade e a comunhão e a alegria do Evangelho, também iluminou esse primeiro dia de formação. “Devemos ter um olhar para todos, pois são eles que nos dão a alegria verdadeira. A presença do outro dá sentido a nossa autêntica alegria”, ressaltou Samuel Guerra, do Ceará.

Em seguida trabalhou-se com a temática do “encontro” a partir do Evangelho de Jesus sobre a Samaritana (Jo 4, 1-30). Os jovens refizeram a leitura da passagem de maneira vivencial e foram provocados a um momento de deserto. O jovem Claudemar Junior, do Paraná, destacou que este tempo reservado para a meditação o fez perceber o que Deus queria dele para a missão e pós-missão. “Nós, como missionários, devemos olhar nossos irmãos com um olhar de amor e não de julgamento, pois é assim que Deus olha para nós”, afirmou. Um símbolo foi modelado pelos jovens, sintetizando a reflexão do primeiro dia.

O segundo dia teve como eixos os temas da “partilha” e do “envio”. Os jovens foram provocados a refletirem sobre “o que é juventude?” “Quem são os jovens?” “Como são vistos?” “A fé que tenho me inquieta?” “O que entendemos por discernimento?”


Para Flávio Rebouças, da JM do Ceará, “estas perguntas, quando analisadas dentro da nossa realidade, permitem-nos entender que é um grande desafio viver aquilo que pregamos e nos conduzem a avaliar que tipo de Juventude Missionária queremos ser”. A parte da tarde teve como motivação a carta do papa Francisco aos jovens sobre o Sínodo dos Bispos, que acontecerá em outubro deste ano. A formação teve ainda um estudo sobre o contexto histórico de Viamão, conduzida por Egídio Fiorotti, morador da cidade, e foi concluída com um momento de oração animada pelo padre Loivo, pároco local. Após, os jovens foram encaminhados para as celebrações nas comunidades e famílias.

A primeira Missão Sem Fronteiras ocorreu em 2015 no município de Ananindeua, região metropolitana do Pará. Já a segunda experiência ocorreu em Itapebuçu, distrito de Maranguape no sertão do Ceará onde os jovens puderam beber da fé popular e da resistência do sertanejo. Este ano, a III Missão Sem Fronteiras está sendo vivida no sul do Brasil, em uma situação de periferia urbana.