domingo, 1 de março de 2015

Jovens da primeira Missão na Amazônia contam experiências ao Papa Francisco


Após viverem uma experiência única, os 72 jovens que fizeram parte da I Missão Jovem na Amazônia, organizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em dezembro do ano passado, resolveram escrever ao Papa Francisco. Leia a carta enviada ao pontífice:

Querido Papa Francisco,

Somos jovens de todo o Brasil que ouviram suas palavras na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, em 2013, “Ide sem medo para servir”. Diante do apelo lançado, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), juntamente com as Pontifícias Obras Missionárias (POM), organizaram a Missão Jovem na Amazônia. Foram cerca de três mil jovens inscritos dentre as diversas expressões juvenis da Igreja no Brasil (Pastorais da juventude, movimentos, novas comunidades, congregações religiosas e organismos), além de jovens vindos do Uruguai, Paraguai e Argentina. Ao final do processo de discernimento, fomos escolhidos para passarmos 15 dias fazendo uma experiência missionária no coração do Brasil, a região amazônica. Espalhamo-nos pelas Dioceses de Coari, Parintins, Roraima e a Prelazia de Borba. Um fato nos chamou atenção, enquanto nos preparávamos, nos demos conta que éramos 72 jovens missionários. Neste momento nos sentimos iluminados pelo Evangelho que diz: “O senhor escolheu outros 72 discípulos e os enviou dois a dois na sua frente para toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir.” (Lc 10, 1).

Dentre toda preciosidade de ensinamentos que pudemos partilhar em seu Pontificado, ficamos alertas e fervorosos quando disseste: “Atenção: Jesus não disse, se vocês quiserem se tiverem tempo, mas disse: Ide e fazei discípulos entre todas as nações; partilhar a experiência da fé, anunciar o evangelho é o mandato que o Senhor confia a toda a Igreja, também a vocês”. Vossas sábias palavras nos fizeram refletir juntamente com nossa mãe Igreja: “o que Deus pretendia para nós?” A certeza que encontramos foi semelhante à de Isaias 6,8: “E eu ouvi a voz do Senhor que dizia: Quem enviarei? Quem irá por nós? E eu respondi: Eis-me aqui, envia-me.”.

Foi possível ver pelas Dioceses que nos acolheram, vários povos sofridos, de diversas culturas, costumes e etnias; povos indígenas, povos viventes as margens dos imensos e diversos rios, os ribeirinhos, povos nos becos pobres das cidades. Foram diversas as situações encontradas, mas uma só foi a visão que tivemos, a visão do divino presente em cada ser humano que cruzou nossos caminhos. E a visão de que cada um se mantem presente e vivente em Deus mesmo diante das tribulações.

Nesses dias, partilhamos lágrimas e apelos, mas também sorrisos, gratidões, exemplos de fé, perseverança, caridade, fraternidade, vivências estas que nos enriquecerão infinitamente. Esse ânimo missionário de ir ao encontro dos irmãos estará para sempre fazendo morada em nossos corações, nos tornando um grande exército jovem disposto a enfrentar toda e qualquer batalha em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Na encíclica Evangelli Gaudium, nos instiga dizendo: “Eu sou missão” (cf…).

Se na aparência somos diferentes uns dos outros, na essência somos todos irmãos, feitos imagem e semelhança de Deus Pai. Estamos conectados com Deus Cristo, que veio ao encontro de todos, sem exceção, se fazendo amigo e irmão. Dessa maneira, reafirmamos nossa aliança com Deus, diariamente praticando o amor fraterno, que em português claro quer dizer, arregaçar as mangas e lutar por uma causa maior, substituir a obsessão do ter pela noção do ser, fazendo com que a balança de nossas vidas tenda a pender para o lado da paz e do bem.

Com nossos corações transbordantes de alegria e paz, por essa vivência missionária, clamamos a Deus para que nos mantenha firmes na fé e na caridade, para que inspirados pela parábola do semeador possamos sempre mais lançar nossas sementes em corações necessitados da palavra de Deus, e que cultivemos cada vez mais o terreno fértil de nossos corações, na esperança de que continuem a florescer humildemente para o serviço do Reino de Deus.  Assim, queremos cumprir ardentemente o maior mandamento da lei de Deus: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua mente; e teu próximo como a ti mesmo”. (Lc 10,27).


Por fim, a nossa prece se traduz na seguinte frase: “Senhor, fazei-nos instrumentos de vossa Paz”. Continuaremos contando, Santo Padre, com suas orações e incentivo para prosseguirmos decididamente nesta árdua e gratificante caminhada, amando cada vez mais a pessoa de Jesus Cristo e sua Igreja.

Unidos pela oração,

Todos os 72 jovens da I Missão Jovem na Amazônia

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