domingo, 8 de março de 2015

Comunidade Indígena Raposa Serra do Sol recebe jovens missionários


Durante a Primeira Missão Jovem na Amazônia, organizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no mês de dezembro de 2014, no Amazonas e em Roraima, alguns jovens visitaram comunidades indígenas localizadas na divisa com a Guiana Inglesa, Venezuela e no norte de Boa Vista.

Após o período de formação em Manaus, 26 jovens voaram para Boa Vista (RR) no início do mês de dezembro para uma longa viagem até a aldeia, localizada a oito horas da capital do estado de Roraima. Ao desembarcarem no centro da Raposa Serra do Sol, conhecido como Maturuca, os missionários foram recebidos com festas e danças típicas indígenas. Todos foram cumprimentados por cerca de 300 índios e tiveram seus rostos pintados com semente de Urucum.

Na sexta-feira (5 de dezembro), o grupo se dividiu em seis equipes e viajou rumo a comunidades ligadas ao Centro Maturuca, dando início à missão. Pedra Branca, Pedra Preta, Morro, Willimon e Campo Formoso foram, além do centro, os povos que receberam os missionários. Cada equipe recebeu a presença de um sacerdote da congregação Missionários da Consolata O percurso levou de duas a 15 horas e teve de ser feito em carros, a pé, a cavalo e em barcos pelos jovens missionários de todo o país.

No dia seguinte, já instalados em suas redes, os jovens puderam vivenciar os costumes, a rotina, o espírito de comunidade, a fé católica e a organização dos índios macuxis, uma das três etnias indígenas ligadas a Raposa Serra do Sol, na Região das Serras de Roraima.

Em uma semana alcançamos locais e comunidades que os padres missionários fazem em um ou dois anos. Foi uma troca de experiências que se deu com a nossa presença”, afirma Renato, 27, da cidade de Anápolis (GO).

Gratidão e fidelidade a Deus
O povo indígena demonstrou aos missionários, durante a semana, enorme gratidão que eles têm a Igreja Católica e aos primeiros missionários que pisaram em suas terras. Segundo os nativos, eles são os principais responsáveis pela luta e vitória por suas terras, em 1977, durante uma batalha contra fazendeiros e arrozeiros que resultou na morte de 21 indígenas e deixou 10 feridos.

Apesar dos sofrimentos, de uma vida humilde e de algumas dificuldades, os missionários encontraram nas comunidades um povo alegre, esperançoso e uma estrutura com agricultura, energia elétrica, postos de saúde e escolas, gerenciadas pelos próprios indígenas. Lá, eles estudam até a conclusão do ensino médio.

“Fazer parte deste projeto renovou minha vida e missão. Foi um grande kairós espiritual para me dar convicção da fé verdadeira que professo. Fui mais evangelizada do que evangelizei, pois recebi muito amor desse povo. Vivi um verdadeiro Evangelho Vivo”, lembra Maria do Poção, 33 anos, de Alagoas.

A jovem ainda ressaltou a simplicidade dos povos indígenas. “Percebi o quanto preciso de pouco para ser feliz e que Deus realmente se revela nos pequenos, que nos ensinaram a reviver como os primeiros cristãos que tinham tudo em comum e dividiam seus dons com alegria”, disse.

Outro episodio triste que este povo viveu foi o atentado ao Centro Cultural de Surumu, uma escola integral que forma os índios no ensino técnico. Em 2005, o local foi queimado pelos arrozeiros, mas felizmente, ninguém se feriu. Após este fato, os índios ficaram uma semana em silêncio, para rezarem e entenderem o que Deus queria para eles naquele momento.

Essas atitudes de oração e reflexão diante de Deus mostram tamanha fé deste povo. “A igreja sempre foi nossa melhor amiga”, disse um dos líderes da comunidade de Willimon.

Vai ou Racha – luta pelo futuro dos jovens
Além das influências positivas que os brancos levaram a estas comunidades, os perigos que afetam os jovens em todo o mundo também chegaram até os índios. A bebida, as drogas e a prostituição invadiram as aldeias e preocupa os líderes e índios mais experientes. Diante disso, em 2005, após assembleia organizada no Centro de Maturuca, que contou com a presença das lideranças de todos os centros, foi decidida a proibição do uso e da entrada de bebidas alcoólicas e drogas no território indígena. “Era um não a bebida e um sim a comunidade”, conta um dos tuxauas (figura que coordenada as comunidades, como se fossem os caciques).

Veja o testemunho de alguns jovens missionários que foram a Aldeia da Raposa Serra do Sol:
Thaís Teixeira, 27 anos, Rio de Janeiro – “Para mim, estes dias vividos ao lado dos índios foram como um retiro, um aprendizado que preencheu meu coração e me ensinou a ser igreja, ser comunidade. Em sete dias, aprendi mais que em toda minha vida”, conta.

Maxwell Pereira, 20 anos, Paraíba – Estar na Amazônia trouxe em meu coração a certeza que missão é muito mais que palavras ditas às pessoas, missão é presença, é se envolver com a realidade. Foi uma alegria enorme estar com aquele povo feliz e tão acolhedor, apesar de tantas lutas. Um Deus grande, mas que se fez pequeno ao se manifestar ao povo macuxi e os fez entender que nunca abandona seus filhos amados.

Amandda Souza, da Equipe Jovens Conectados

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