quinta-feira, 25 de julho de 2013

#JMJRio2013: A missa do Papa em Aparecida: Francisco conclui celebração prometendo voltar ao Brasil em 2017


Vivendo seu terceiro dia em terras brasileiras, aonde chegou nesta segunda-feira qual peregrino número 1 desta XXVIII Jornada Mundial da Juventude, o Papa Francisco deixou pouco depois das 8h locais a residência arquiepiscopal do Sumaré, no Rio de Janeiro – onde se encontra hospedado – para a tão aguardada visita ao Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, em Aparecida, SP, padroeira do Brasil.

Ao chegar ao Santuário, em meio a manifestações de grande entusiasmo e afeto, o Santo Padre foi calorosamente acolhido pela multidão de fiéis e peregrinos que o aguardavam, muitos dos quais já se encontravam no local desde ontem à espera do Sucessor de Pedro.

Após passar de papamóvel lentamente pela multidão abençoando os presentes, entre os quais muitas crianças, o Papa dirigiu-se diretamente à Capela dedicada aos 12 Apóstolos, onde é custodiada a pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

Após recitar com os presentes uma oração à Mãe Aparecida, o Pontífice retirou-se para a Sacristia, onde se paramentou para a celebração eucarística realizada dentro da Basílica, com a participação de 12 mil fiéis e dos bispos da Província eclesiástica local. Cerca de 200 mil pessoas acompanharam a celebração pelos telões montados do lado de fora do Santuário.

No início da missa o Arcebispo de Aparecida, Cardeal Raymundo Damasceno Assis, dirigiu uma saudação ao Papa.

Após expressar a grande satisfação por acolher o Sucessor de Pedro e aludir à devoção dos milhares de romeiros que peregrinam para este lugar abençoado pela imagem milagrosa encontrada no rio Paraíba em 1717, disse o purpurado: "Este Santuário é um importante “ícone” religioso nacional. Ao visitá-lo, podemos dizer que, simbolicamente Vossa Santidade está visitando todo o Brasil. É uma visita de peregrino, com a qual Vossa Santidade quis confiar a Nossa Senhora o grande acontecimento dos próximos dias, que é a 27a Jornada Mundial da Juventude. Todos nós nos unimos a esta oração, para que o encontro da juventude com o Sucessor de Pedro fortaleça a fé e o amor de nossos jovens a Jesus Cristo e suscite em todos eles aquele ardor missionário que se traduz no lema da Jornada: “ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28,19)."

Após recordar a visita ao Santuário feita pelos papas João Paulo II (1980) e Bento XVI (2007), Dom Raymundo falou sobre a réplica da Imagem de Nossa Senhora de Aparecida que em seguida lhe entregaria referindo-se ao fato de a cor negra da pequena imagem ser interpretada como uma referência aos sofrimentos dos pobres e excluídos, "especialmente do povo negro, ao longo da história do Brasil".

"Por meio da imagem que será dada a Vossa Santidade, peço a Nossa Senhora, em nome do povo brasileiro, que acompanhe e abençoe o Vosso ministério", disse o arcebispo de Aparecida, reiterando ao Papa o afeto e reverência filial.


No início da homilia da missa, o Papa Francisco referiu-se a sua visita à Basílica de Santa Maria Maior, no dia seguinte ao da sua eleição como Bispo de Roma, para confiar a Nossa Senhora o seu ministério de Sucessor de Pedro.

Em seguida, o Papa disse ter ido a Aparecida para "suplicar a Maria, nossa Mãe, o bom êxito da Jornada Mundial da Juventude e colocar aos seus pés a vida do povo latino-americano".

O Santo Padre expressou sua experiência vivida seis anos atrás em Aparecida: "Neste Santuário, seis anos atrás, quando aqui se realizou a V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, pude dar-me conta pessoalmente de um fato belíssimo: ver como os Bispos – que trabalharam sobre o tema do encontro com Cristo, discipulado e missão – eram animados, acompanhados e, em certo sentido, inspirados pelos milhares de peregrinos que vinham diariamente confiar a sua vida a Nossa Senhora: aquela Conferência foi um grande momento de vida de Igreja. E, de fato, pode-se dizer que o Documento de Aparecida nasceu justamente deste encontro entre os trabalhos dos Pastores e a fé simples dos romeiros, sob a proteção maternal de Maria. A Igreja, quando busca Cristo, bate sempre à casa da Mãe e pede: “Mostrai-nos Jesus”. É de Maria que se aprende o verdadeiro discipulado. E, por isso, a Igreja sai em missão sempre na esteira de Maria."

"Assim – prosseguiu –, de cara à Jornada Mundial da Juventude que me trouxe até o Brasil, também eu venho hoje bater à porta da casa de Maria, que amou e educou Jesus, para que ajude a todos nós, os Pastores do Povo de Deus, aos pais e aos educadores, a transmitir aos nossos jovens os valores que farão deles construtores de um País e de um mundo mais justo, solidário e fraterno."

Para tal, o Santo Padre quis chamar a atenção para três simples posturas: Conservar a esperança; deixar-se surpreender por Deus; viver na alegria.

"Frente ao desânimo que poderia aparecer na vida, em quem trabalha na evangelização ou em quem se esforça por viver a fé como pai e mãe de família, quero dizer com força: Tenham sempre no coração esta certeza! Deus caminha a seu lado, nunca lhes deixa desamparados! Nunca percamos a esperança! Nunca deixemos que ela se apague nos nossos corações!"

"Queridos irmãos e irmãs, sejamos luzeiros de esperança! Tenhamos uma visão positiva sobre a realidade. Encorajemos a generosidade que caracteriza os jovens, acompanhando-lhes no processo de se tornarem protagonistas da construção de um mundo melhor: eles são um motor potente para a Igreja e para a sociedade. Eles não precisam só de coisas, precisam sobretudo que lhes sejam propostos aqueles valores imateriais que são o coração espiritual de um povo, a memória de um povo. Neste Santuário, que faz parte da memória do Brasil, podemos quase que apalpá-los: espiritualidade, generosidade, solidariedade, perseverança, fraternidade, alegria; trata-se de valores que encontram a sua raiz mais profunda na fé cristã."

A segunda postura, recordou, é "Deixar-se surpreender por Deus". Quem é homem e mulher de esperança "sabe que, mesmo em meio às dificuldades, Deus atua e nos surpreende", frisou.

Em seguida, referindo-se à pesca milagrosa da Aparição da imagem de Nossa Senhora nas águas do rio Parnaíba, o Papa Francisco observou: "Quem poderia imaginar que o lugar de uma pesca infrutífera, tornar-se-ia o lugar onde todos os brasileiros podem se sentir filhos de uma mesma Mãe? Deus sempre surpreende, como o vinho novo, no Evangelho que ouvimos. Deus sempre nos reserva o melhor. Mas pede que nos deixemos surpreender pelo seu amor, que acolhamos as suas surpresas. Confiemos em Deus! Longe d’Ele, o vinho da alegria, o vinho da esperança, se esgota."

"Se nos aproximamos d’Ele, se permanecemos com Ele, aquilo que parece água fria, aquilo que é dificuldade, aquilo que é pecado, se transforma em vinho novo de amizade com Ele", continuou.


Referindo-se à terceira postura, "Viver na alegria", disse: "Queridos amigos, se caminhamos na esperança, deixando-nos surpreender pelo vinho novo que Jesus nos oferece, há alegria no nosso coração e não podemos deixar de ser testemunhas dessa alegria. O cristão é alegre, nunca está triste. Deus nos acompanha. Temos uma Mãe que sempre intercede pela vida dos seus filhos, por nós, como a rainha Ester na primeira leitura (cf. Est 5, 3). Jesus nos mostrou que a face de Deus é a de um Pai que nos ama. O pecado e a morte foram derrotados. O cristão não pode ser pessimista! Não pode ter uma cara de quem parece num constante estado de luto. Se estivermos verdadeiramente enamorados de Cristo e sentirmos o quanto Ele nos ama, o nosso coração se “incendiará” de tal alegria que contagiará quem estiver ao nosso lado. Como dizia Bento XVI: «O discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro” (Discurso inaugural da Conferência de Aparecida [13 de maio de 2007]: Insegnamenti III/1 [2007], 861)."

O Santo Padre concluiu sua homilia referindo-se às palavras de Maria "Fazei o que Ele vos disser", dizendo que nos comprometemos a fazer o que Jesus nos disser! "E o faremos com esperança, confiantes nas surpresas de Deus e cheios de alegria".

Durante a celebração o Santo Padre doou um cálice ao Santuário, e antes da Bênção final consagrou seu Pontificado à Virge. Após a missa, fez uma saudação aos milhares de fiéis e peregrinos que se encontravam do lado de fora do Santuário.

O Papa despediu-se surpreendendo a todos ao anunciar que em 2017 voltará ao Brasil, por ocasião dos 300 anos da pesca milagrosa na qual foi pescada a pequena imagem da Virgem Maria que, justamente, foi chamada de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Com a visita a Aparecida introduzida na programação por sua expressa vontade, o Papa quis confiar a Nossa Senhora o bom êxito desta JMJ e a ela consagrar o seu Pontificado.

Fonte: Rádio Vaticano - 24/07/2013

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