sexta-feira, 17 de agosto de 2012

"Primavera Angolana" nas mãos dos jovens contra governo



Um dos países mais ricos do mundo em recursos naturais priva os seus jovens de sonhar com o futuro. Um governo corrupto apenas lhes oferece desemprego, pobreza e repressão, levando-os ao desespero e ao protesto nas ruas, inspirados nas revoluções árabes.

No poder há mais de três décadas, a tirania do governo do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) vê-se confrontada com os protestos dos jovens que se inspiram nas revoluções árabes do Médio Oriente. Usam a internet, rap e hiphop para fintar o aparato repressivo de presidente José Eduardo dos Santos e erguer a resistência política em Angola. “Somos todos vítimas de um governo catastrófico, por isso não me contento em fazer música: vou junto com outras pessoas jovens às ruas e protesto contra o governo”, afirma o cantor Carbono Casimiro.

De 30 anos, é um dos muitos artistas, estudantes e ativistas dos direitos políticos, que persistem em organizar passeatas contra o regime, desde há um ano, inspirando-se na Primavera Árabe. Ainda não se pode falar de uma revolta de massas, como a ocorrida no Norte da África. Ainda que apenas umas centenas de corajosos ousem sair à rua, os promotores dos protestos sabem que a maior parte da população está do seu lado. A adesão é mais significativa nos bairros pobres de Luanda, mas o medo de represálias do poder estatal não lhes permite ir mais além, por agora.

Com os meios que dispõem, organizam manifestações contra o chefe de Estado e o governo. Comunicam por telemóvel e utilizam as redes sociais para anunciar “uma nova revolução do povo angolano contra 32 anos de tirania e má governação”. Passam mensagens significativas e palavras de ordem, como “A juventude de Angola é contra a corrupção”, e “Fora o presidente Zedu, abaixo a ditadura”.

A polícia e os serviços secretos reagem com nervosismo, tentando subornar  e alternando a oferta de presentes com ameaças, violência e atentados. Um bando de mestres do espancamento espalha o medo e o terror entre jovens e jornalistas independentes. E quando todos esses métodos falham, o poder estatal manda prender. “Há quase 33 anos temos aqui no poder uma tirania que nunca foi eleita. Não vamos nunca parar de lutar pela verdadeira democracia”, embora saibam que ela ainda está longe.

Uma canção recente de Carbono Casimiro acusa na internet: “Eles” espancam e prendem o povo, só porque este exige pão, saúde e educação. O espírito rebelde deste lutador já o fez passar várias semanas, na penitenciária. Perante as dificuldades e os percalços atuais, eles sabem que a “Primavera Angolana” acabará por minar o poder do MPLA, mesmo que este vença as eleições de 31 de agosto, como deverá acontecer.

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