sexta-feira, 6 de maio de 2011

Dom Dimas fala sobre as expectativas da Igreja do Brasil com relação à juventude


Recém nomeado arcebispo de Campo Grande, Dom Dimas Lara Barbosa está concluindo seu mandato como secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Ele concedeu entrevista aos Jovens Conectados sobre a Igreja e a juventude do Brasil. Confira a seguir os principais momentos:


A Igreja e a Juventude

A Igreja do Brasil precisa acreditar na juventude. Eu tenho certeza: a experiência mostra que quando você confia na juventude, no povo jovem de Deus, a resposta que ele dá vai muito além daquilo que você poderia esperar. Eu espero que a Igreja no Brasil, a começar da CNBB, não apenas nomeie uma comissão especial para trabalhar com os jovens, não apenas foque o interesse nas jornadas mundiais da juventude, mas efetivamente use a linguagem que a juventude entende e espera e dê o espaço que a juventude merece. E aí continua valendo aquele mote que o padre Zezinho dizia nos meus tempos de grupos de jovens, que já se vão alguns anos atrás: a Igreja só será jovem quando o jovem for Igreja.


Kairós da juventude

Estamos vivendo um kairós específico da juventude, porque estamos às portas da Jornada Mundial da Juventude de Madri. Temos também a possibilidade de uma Jornada no Brasil. Temos a Campanha Nacional Contra o Extermínio de Jovens. E agora encaminhamos também para a Assembleia da CNBB a proposta de que seja criada uma comissão especial para a juventude.

A nossa entrada nas mídias sociais – a CNBB está agora no Twitter, no Facebook e no Orkut, com boa margem de seguidores, de participantes – mostra que queremos falar com os jovens.

A própria criação do Setor Juventude mostra isso. O Setor Juventude hoje tem mais de 60 entidades entre movimentos, congregações religiosas, centros de formação, pastorais específicas da juventude – são mais de 60 parceiros dispostos a trabalhar pelos jovens.


As novas tecnologias

As novas tecnologias são desafios e são promessa, mas é claro que elas trazem dificuldade. Estamos apoiando um projeto interessante que é o de fazer uma pesquisa em dez mil colégios de todo o Brasil, tanto católicos como em instituições publicas, sobre o comportamento do jovem e da criança diante das mídias. Nós vamos enfocar a televisão, os games, a internet, o rádio e as novas tecnologias em geral.

Essa mesma pesquisa foi feita em outros países, no Uruguai por exemplo, e mostrou algumas coisas que nos já conhecemos pela experiência, mas não temos quantificado. Por exemplo: o problema que pode trazer o mau uso da webcam por uma pessoa que se expõe.

A internet também é um meio onde pode haver a difusão da droga, a exploração sexual de crianças e adolescentes, o bullying, o problema da violência – tudo isso são elementos perniciosos que as famílias precisam aprender a trabalhar. Há o problema do jovem que fica conectado 24 horas por dia. Não sei se a tecnologia é um grande desafio, mas é uma grande promessa, um grande instrumento. Se nos tempos do Papa Paulo VI já valia, para o rádio e a TV, a advertência de que nós seremos cobrados pelas futuras gerações pelo bom ou mau uso dos meios de comunicação, essa mesma advertência continua valendo para as novas mídias.

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