Encontro, partilha e troca de experiências serão os pontos fortes da JMJ, aponta secretário nacional da JM

Padre Marcelo também falou sobre as expectativas do
evento, bem como da Jornada Mundial da Juventude de 2013, e da Campanha da
Fraternidade do mesmo ano que poderá discutir a temática juventude. “Os grupos
de Juventude Missionária tem buscado assinaturas para que o fato aconteça”,
disse.
Leia entrevista na íntegra com o secretário nacional da
Juventude Missionária, padre Marcelo Gualberto, abaixo:
A juventude missionária brasileira estará representada na
Jornada Mundial da Juventude de Madri?
Sim. Nós estamos indo juntamente com a delegação oficial
brasileira organizada pelo Setor Juventude da CNBB. Ao todo, já temos inscritos
mais de 7 mil jovens, numa perspectiva de estarmos em mais de 10 mil jovens
brasileiros na Jornada Mundial da Juventude de Madri. Enquanto Juventude
Missionária, animada pelas Pontifícias Obras Missionárias, nós vamos em sete
jovens.
Como foi o processo de seleção dos sete jovens que
representarão a Juventude Missionária em Madri?
Durante a Assembleia da Juventude Missionária que
aconteceu em fevereiro, nós colocamos em votação aqueles jovens coordenadores
que estariam disponíveis a ir. Entre os que se colocaram à disposição, foi
feita uma eleição de escolha. As Pontifícias Obras Missionárias vão arcar com a
despesa de três jovens. Os outros estarão indo, mas com recursos próprios e
ajuda das POM. Os jovens são do Ceará, de São Paulo, Paraná e Minas Gerais.
O que a Juventude Missionária poderá extrair da Jornada
Mundial da Juventude para o amadurecimento do perfil missionário?
Como o próprio objetivo da JMJ é o encontro da juventude,
o evento será a oportunidade de ir ao encontro de muitos jovens, distantes, e
conduzi-los a Cristo. A Juventude Missionária é uma extensão da própria Jornada
porque a nossa metodologia, a vivência dos grupos de Juventude Missionária no
Brasil, tem dado este enfoque, fazendo com que os jovens tenham uma formação
para que possam buscar cada vez mais outros jovens.
O extrair da Juventude Missionária seria essa
profundidade de estar em contato com outros jovens fazendo essa experiência com
Cristo que é a característica própria da Jornada Mundial e poder levar a outros
jovens essa experiência.
Os jovens que representarão a JM irão também trazer a
experiência para outros jovens.
Com certeza. Nós teremos um fruto muito bonito que será a
partilha da pré-jornada em algumas dioceses da Espanha. Toda a delegação
oficial do Brasil estará envolvida nas dioceses, em cinco cidades específicas
onde nos dias 10 a 15 de agosto iremos fazer missões nestes locais colhendo
qual o impacto que a Jornada Mundial da Juventude causa em cinco diferentes
propostas [cidades]. Nós vamos visitar algumas cidades bem diferentes. Daremos
a possibilidade para que cada jovem da Juventude Missionária esteja em cada uma
das cinco cidades para colher esta grande formação do impacto da JMJ na própria
realização e vivência da comunidade. Será a oportunidade desses jovens
conhecerem as várias realidades e fazer o repasse para aqueles que não tiveram
a oportunidade de participar da Jornada Mundial e pré-jornada.
A JMJ é também o espaço para a Juventude Missionária
difundir o seu carisma?
Sim, mas não como objetivo principal que é fazer a
experiência com Cristo, de Igreja, de estarmos juntos, mas, é a oportunidade
que teremos de partilha. A Juventude Missionária vai partilhar o seu carisma,
sua forma de realizar-se no dia-a-dia, de ser jovem missionário. Um ou outro
jovem se interessa, procura, e vai fazer com divulguemos sim o carisma da JM
que está presente em diversos países. No Brasil nós ainda temos uma caminhada
pequena, mas na Itália, por exemplo, nós temos notícias que eles têm uma
experiência muito grande. A JMJ será a oportunidade de difundir o carisma, mas
não como ponto principal que é a vivência da Jornada Mundial.
Durante as Jornadas Mundiais da Juventude acontecem
eventos como catequese, adorações, missas, palestras, partilhas e shows. Quais desses aspectos podem-se destacar como
missionários?
Todos. Nós podemos perceber na declaração do papa e do
arcebispo de Madri, quando aconteceu a Jornada Mundial da Juventude de 1989,
que a JMJ é um evento missionário porque traz essa realidade de ser Igreja que
faz a experiência de Deus, que vive a experiência com Jesus, assim como os
apóstolos, como Maria, assim como aqueles que sempre estiveram próximos da
Igreja que leva esse Jesus depois de ter feito a experiência. Durante a JMJ
teremos as orações, as catequeses, o próprio momento com o Santo Padre, a
vigília. Tudo isso caracterizam momentos missionários porque é uma forma de
encontrar, e encontrando, vai haver da parte de todos aqueles que irão conferir
as palestras, catequeses, conferências, um chamado muito forte a levar aos
outros jovens essa experiência de alegria e de ser jovem de Cristo, essa nova
geração que busca dizer sim às coisas de Deus.
Sobre a JMJ, o papa João Paulo II disse: “o principal
objetivo das jornadas é fazer a pessoa de Jesus o centro da fé e da vida de
cada jovem para que ele possa ser seu ponto de referência constante e também a
inspiração para cada iniciativa e compromisso para a educação das novas
gerações”. Essas palavras contemplam a Juventude Missionária?
Sim, com certeza. “Fazer a pessoa de Jesus o centro da fé
e da vida de cada jovem”. Essas palavras de João Paulo II são muito fortes, mas
também Bento XVI vem acrescentar um pouco e dizer que “a Jornada Mundial da
Juventude quer contribuir para reavivar em cada jovem um amor que une as
pessoas, fazendo-as assim a sentirem-se livres do respeito recíproco”.
A partir dessas palavras nós vemos que a Igreja tem
olhado para a juventude com um olhar muito especial. O próprio papa Bento XVI
no seu encontro com os jovens por ocasião de sua estadia no Brasil, na
Conferência de Aparecida, em maio de 2007, dizia que a Igreja olha para o jovem
como oportunidade muito bonita, sendo que, sem o rosto jovem, a Igreja perderia
o seu vigor. Para a Juventude Missionária essas palavras se tornam cada vez
mais uma vivência no dia-a-dia. Como colocávamos, podemos dizer que a JM é uma
extensão da Jornada Mundial da Juventude porque ela busca nos seus encontros,
nas suas meditações e reflexões, fazer a pessoa de Jesus Cristo o centro da sua
vida e fazendo o centro da sua vida não se esquivar diante de outros jovens que
não tiveram essa oportunidade. É por isso o lema da Juventude Missionária:
“Jovens missionários sempre solidários”; é nessa perspectiva a solidariedade de
levar ao outro a Palavra, o conforto, a busca do encontro.
A universalidade descrita na passagem bíblica “Vão e
anunciem o Evangelho a todos os povos”, torna a Jornada Mundial da Juventude e
a Juventude Missionária muito próximas?
Por ser declarado como um evento missionário, com certeza
une. Nós vemos que diante de todo o Setor Juventude isso nos faz cada vez mais
ter a certeza de que é através dessa perspectiva de união que nós alcançaremos
o objetivo que Jesus deixou de anunciar a todos o Evangelho. Isso não pode ser
tido como algo próprio da Juventude Missionária de ir ao encontro de outros
jovens, mas todos os jovens sejam de qualquer setor, são convidados pela Igreja
a levar aos outros o anúncio, cada um com seu carisma e espiritualidade
própria. Para nós, enquanto JM, faz parte esse pilar: “vão e anunciem o
Evangelho a todos os povos”.
É como se hoje a JM escutasse do próprio Jesus Cristo
“vocês jovens vão e anunciem aos outros jovens a Palavra de Deus”. Isso com
certeza torna próximo. Nós temos notícias pelo mundo todo que jovens
transformam a vida a partir do encontro com Jesus Cristo na Jornada Mundial da
Juventude. Portanto, é uma oportunidade sem sombra de dúvida, de conversão, de
chamamento; há também tantas vocações que surgiram a partir da JMJ. Isso é com
certeza um objetivo da Igreja hoje, fazer com que a Palavra de Deus esteja
presente nos mais diversos lugares. Para isso, a JM está disposta a anunciar o
Evangelho a todos, principalmente nos lugares onde não tem quem se
disponibiliza a ir.
Quais as expectativas para a Jornada Mundial da Juventude
2011?
É muito grande, não só da minha parte, mas da JM no
Brasil. Estamos vivendo um momento bonito que é essa realidade de preparar
durante três anos uma vivência forte sobre juventude. Inclusive com a petição
do Setor Juventude da CNBB para que em 2013 tenhamos a Campanha da Fraternidade
sobre “Fraternidade e Juventude”. Os grupos de Juventude Missionária têm
buscado assinaturas para que de fato aconteça. Sem dúvida a expectativa de ir e
participar de uma JMJ, de partilhar com os jovens missionários que estarão
conosco e a expectativa de poder contribuir para que a JMJ aconteça no Brasil é
muito grande. Sabemos que o trabalho neste evento requer bastante disposição e
nós estamos dispostos e temos a certeza de que toda a JM do Brasil estará
disposta a abraçar com carinho a realização da Jornada Mundial da Juventude no
Brasil, que poderá ser anunciada lá em Madri.
FONTE: POM – www.pom.org.br
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