sexta-feira, 1 de abril de 2011

Encontro, partilha e troca de experiências serão os pontos fortes da JMJ, aponta secretário nacional da JM

O secretário nacional da Juventude Missionária (JM) padre Marcelo Gualberto, disse que a Jornada Mundial da Juventude 2011 (JMJ-2011), que acontece em agosto, em Madri, Espanha, será oportuna para o enriquecimento do perfil da JM do Brasil, que estará presente no evento com sete jovens missionários brasileiros. Gualberto destacou o evento como uma “extensão da juventude missionária”, por ser a JMJ um encontro missionário de jovens. “A nossa metodologia, a vivência dos grupos de Juventude Missionária no Brasil, tem dado este enfoque [encontro], fazendo com que jovens tenham uma formação para que possam buscar cada vez mais outros jovens”, disse em entrevista à assessoria de imprensa das Pontifícias Obras Missionárias (POM).

A JMJ em Madri, segundo ele, possibilitará aos jovens missionários brasileiros vivenciarem, entre outros aspectos, a partilha, experiência com o Cristo e o conhecimento de outras expressões juvenis. Será também um espaço de difundir o carisma da JM. “O ponto principal será, sobretudo, a vivência da Jornada”, comentou.

Padre Marcelo também falou sobre as expectativas do evento, bem como da Jornada Mundial da Juventude de 2013, e da Campanha da Fraternidade do mesmo ano que poderá discutir a temática juventude. “Os grupos de Juventude Missionária tem buscado assinaturas para que o fato aconteça”, disse.

Leia entrevista na íntegra com o secretário nacional da Juventude Missionária, padre Marcelo Gualberto, abaixo:

A juventude missionária brasileira estará representada na Jornada Mundial da Juventude de Madri?
Sim. Nós estamos indo juntamente com a delegação oficial brasileira organizada pelo Setor Juventude da CNBB. Ao todo, já temos inscritos mais de 7 mil jovens, numa perspectiva de estarmos em mais de 10 mil jovens brasileiros na Jornada Mundial da Juventude de Madri. Enquanto Juventude Missionária, animada pelas Pontifícias Obras Missionárias, nós vamos em sete jovens.

Como foi o processo de seleção dos sete jovens que representarão a Juventude Missionária em Madri?
Durante a Assembleia da Juventude Missionária que aconteceu em fevereiro, nós colocamos em votação aqueles jovens coordenadores que estariam disponíveis a ir. Entre os que se colocaram à disposição, foi feita uma eleição de escolha. As Pontifícias Obras Missionárias vão arcar com a despesa de três jovens. Os outros estarão indo, mas com recursos próprios e ajuda das POM. Os jovens são do Ceará, de São Paulo, Paraná e Minas Gerais.

O que a Juventude Missionária poderá extrair da Jornada Mundial da Juventude para o amadurecimento do perfil missionário?
Como o próprio objetivo da JMJ é o encontro da juventude, o evento será a oportunidade de ir ao encontro de muitos jovens, distantes, e conduzi-los a Cristo. A Juventude Missionária é uma extensão da própria Jornada porque a nossa metodologia, a vivência dos grupos de Juventude Missionária no Brasil, tem dado este enfoque, fazendo com que os jovens tenham uma formação para que possam buscar cada vez mais outros jovens.
O extrair da Juventude Missionária seria essa profundidade de estar em contato com outros jovens fazendo essa experiência com Cristo que é a característica própria da Jornada Mundial e poder levar a outros jovens essa experiência.

Os jovens que representarão a JM irão também trazer a experiência para outros jovens.
Com certeza. Nós teremos um fruto muito bonito que será a partilha da pré-jornada em algumas dioceses da Espanha. Toda a delegação oficial do Brasil estará envolvida nas dioceses, em cinco cidades específicas onde nos dias 10 a 15 de agosto iremos fazer missões nestes locais colhendo qual o impacto que a Jornada Mundial da Juventude causa em cinco diferentes propostas [cidades]. Nós vamos visitar algumas cidades bem diferentes. Daremos a possibilidade para que cada jovem da Juventude Missionária esteja em cada uma das cinco cidades para colher esta grande formação do impacto da JMJ na própria realização e vivência da comunidade. Será a oportunidade desses jovens conhecerem as várias realidades e fazer o repasse para aqueles que não tiveram a oportunidade de participar da Jornada Mundial e pré-jornada.

A JMJ é também o espaço para a Juventude Missionária difundir o seu carisma?
Sim, mas não como objetivo principal que é fazer a experiência com Cristo, de Igreja, de estarmos juntos, mas, é a oportunidade que teremos de partilha. A Juventude Missionária vai partilhar o seu carisma, sua forma de realizar-se no dia-a-dia, de ser jovem missionário. Um ou outro jovem se interessa, procura, e vai fazer com divulguemos sim o carisma da JM que está presente em diversos países. No Brasil nós ainda temos uma caminhada pequena, mas na Itália, por exemplo, nós temos notícias que eles têm uma experiência muito grande. A JMJ será a oportunidade de difundir o carisma, mas não como ponto principal que é a vivência da Jornada Mundial.

Durante as Jornadas Mundiais da Juventude acontecem eventos como catequese, adorações, missas, palestras, partilhas e shows.  Quais desses aspectos podem-se destacar como missionários?
Todos. Nós podemos perceber na declaração do papa e do arcebispo de Madri, quando aconteceu a Jornada Mundial da Juventude de 1989, que a JMJ é um evento missionário porque traz essa realidade de ser Igreja que faz a experiência de Deus, que vive a experiência com Jesus, assim como os apóstolos, como Maria, assim como aqueles que sempre estiveram próximos da Igreja que leva esse Jesus depois de ter feito a experiência. Durante a JMJ teremos as orações, as catequeses, o próprio momento com o Santo Padre, a vigília. Tudo isso caracterizam momentos missionários porque é uma forma de encontrar, e encontrando, vai haver da parte de todos aqueles que irão conferir as palestras, catequeses, conferências, um chamado muito forte a levar aos outros jovens essa experiência de alegria e de ser jovem de Cristo, essa nova geração que busca dizer sim às coisas de Deus.

Sobre a JMJ, o papa João Paulo II disse: “o principal objetivo das jornadas é fazer a pessoa de Jesus o centro da fé e da vida de cada jovem para que ele possa ser seu ponto de referência constante e também a inspiração para cada iniciativa e compromisso para a educação das novas gerações”. Essas palavras contemplam a Juventude Missionária?
Sim, com certeza. “Fazer a pessoa de Jesus o centro da fé e da vida de cada jovem”. Essas palavras de João Paulo II são muito fortes, mas também Bento XVI vem acrescentar um pouco e dizer que “a Jornada Mundial da Juventude quer contribuir para reavivar em cada jovem um amor que une as pessoas, fazendo-as assim a sentirem-se livres do respeito recíproco”.
A partir dessas palavras nós vemos que a Igreja tem olhado para a juventude com um olhar muito especial. O próprio papa Bento XVI no seu encontro com os jovens por ocasião de sua estadia no Brasil, na Conferência de Aparecida, em maio de 2007, dizia que a Igreja olha para o jovem como oportunidade muito bonita, sendo que, sem o rosto jovem, a Igreja perderia o seu vigor. Para a Juventude Missionária essas palavras se tornam cada vez mais uma vivência no dia-a-dia. Como colocávamos, podemos dizer que a JM é uma extensão da Jornada Mundial da Juventude porque ela busca nos seus encontros, nas suas meditações e reflexões, fazer a pessoa de Jesus Cristo o centro da sua vida e fazendo o centro da sua vida não se esquivar diante de outros jovens que não tiveram essa oportunidade. É por isso o lema da Juventude Missionária: “Jovens missionários sempre solidários”; é nessa perspectiva a solidariedade de levar ao outro a Palavra, o conforto, a busca do encontro.

A universalidade descrita na passagem bíblica “Vão e anunciem o Evangelho a todos os povos”, torna a Jornada Mundial da Juventude e a Juventude Missionária muito próximas?
Por ser declarado como um evento missionário, com certeza une. Nós vemos que diante de todo o Setor Juventude isso nos faz cada vez mais ter a certeza de que é através dessa perspectiva de união que nós alcançaremos o objetivo que Jesus deixou de anunciar a todos o Evangelho. Isso não pode ser tido como algo próprio da Juventude Missionária de ir ao encontro de outros jovens, mas todos os jovens sejam de qualquer setor, são convidados pela Igreja a levar aos outros o anúncio, cada um com seu carisma e espiritualidade própria. Para nós, enquanto JM, faz parte esse pilar: “vão e anunciem o Evangelho a todos os povos”.
É como se hoje a JM escutasse do próprio Jesus Cristo “vocês jovens vão e anunciem aos outros jovens a Palavra de Deus”. Isso com certeza torna próximo. Nós temos notícias pelo mundo todo que jovens transformam a vida a partir do encontro com Jesus Cristo na Jornada Mundial da Juventude. Portanto, é uma oportunidade sem sombra de dúvida, de conversão, de chamamento; há também tantas vocações que surgiram a partir da JMJ. Isso é com certeza um objetivo da Igreja hoje, fazer com que a Palavra de Deus esteja presente nos mais diversos lugares. Para isso, a JM está disposta a anunciar o Evangelho a todos, principalmente nos lugares onde não tem quem se disponibiliza a ir.

Quais as expectativas para a Jornada Mundial da Juventude 2011?
É muito grande, não só da minha parte, mas da JM no Brasil. Estamos vivendo um momento bonito que é essa realidade de preparar durante três anos uma vivência forte sobre juventude. Inclusive com a petição do Setor Juventude da CNBB para que em 2013 tenhamos a Campanha da Fraternidade sobre “Fraternidade e Juventude”. Os grupos de Juventude Missionária têm buscado assinaturas para que de fato aconteça. Sem dúvida a expectativa de ir e participar de uma JMJ, de partilhar com os jovens missionários que estarão conosco e a expectativa de poder contribuir para que a JMJ aconteça no Brasil é muito grande. Sabemos que o trabalho neste evento requer bastante disposição e nós estamos dispostos e temos a certeza de que toda a JM do Brasil estará disposta a abraçar com carinho a realização da Jornada Mundial da Juventude no Brasil, que poderá ser anunciada lá em Madri.

FONTE: POM – www.pom.org.br

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