quarta-feira, 23 de junho de 2010

Formação Missionária dos Seminaristas


Não atravessa o riacho quem não sabe atravessar o oceano.

O seminário Regional de Fano recolhia os seminaristas de teologia, propedêutico e teologia das vinte dioceses da região Marche, na Itália. Ao todo éramos uns 200 e tantos jovens, esperança de nossos bispos e desespero de nossos formadores.

Todos os anos de dez a quinze colegas saíam do Seminário Regional para passar a um dos Institutos Missionários presentes na Península. Essas saídas, fruto do clima profundamente missionário vivido pelos alunos, incomodavam os bispos, eternamente preocupados por preencher as vagas nas paróquias e pastorais. Os missionários que visitavam com freqüência o seminário passaram a ser olhados como perigosos concorrentes e aproveitadores.


Por sua parte, o Reitor e os formadores eram testemunhas dos benefícios que a abertura missionária provocava nos alunos. A leitura de livros e revistas missionários, a correspondência com que atuava em países distantes e o contato freqüente e profundo com missionários chamados para pregar retiros, fazer palestras e celebrar a Eucaristia se revelavam poderosos instrumentos formativos.

Dentro da mais diplomática etiqueta clerical, se travava uma contínua queda de braço entre bispos e formadores. Era de se prever uma vitória arrasadora dos bispos, mas não foi isso que aconteceu.


Roma locuta
Eram os tempos em que ainda a língua latina era usada abundantemente na escola, embora já se ouvissem por aí o repique dos sinos tocando a morto para a nobre língua dos romanos. Eram os tempos em que, na hora de decidir uma questão, a frase: "Roma locuta" ("Quando Roma se pronuncia") terminava imediatamente com "Causa finita" ("acabou a discussão"). E Roma tinha falado repetida e energicamente sobre o assunto.

Em 13 de junho de 1940 o papa Pio XII tinha enviado uma carta encíclica na qual escrevia: "E se algum de vós, por benigníssima vontade do Altíssimo, se sentisse chamado para as missões, "nem a falta de clero e nem alguma necessidade da diocese deve dissuadi-lo de dar o próprio consentimento; pois os vossos concidadãos, tendo, por assim dizer, ao alcance das mãos os meios da salvação, estão muito menos longe dessa do que os infiéis... Em tal caso, pois, suportai de boa vontade, por amor de Cristo e das almas, a perda de algum membro do vosso clero, se perda se pode chamar e não, ao invés, ganho; já que, se vos privais de algum colaborador e companheiro de fadiga, o divino fundador da Igreja certamente o suprirá, ou expandindo graças mais abundantes sobre a diocese, ou suscitando novas vocações para o sagrado ministério". (Saeculo exeunte, 28)

Mais recentemente, no dia 21 de abril de 1957 o mesmo Papa publicara sua encíclica "Fidei donum" na qual afirmava: "A Igreja na África, como nas outras regiões missionárias, tem necessidade de mensageiros do evangelho. De novo, pois, apelamos para vós, veneráveis irmãos; por todos os meios a vosso alcance, auxiliai aqueles que, por inspiração divina, sacerdotes, religiosos ou religiosas, são chamados a exercer as funções missionárias". (Fidei Donum, 25)

"E é de se notar que o ardor pelas missões, despertado em vossas dioceses, será penhor de novo entusiasmo pela vida cristã, nelas aceso. Uma comunidade de fiéis que dá a Igreja os filhos e as filhas, de modo algum poderá desaparecer". (Fidei Donum, 26)

"A nosso pensamento ocorrem os bispos nossos irmãos que, aflitos, vêem rarear espantosamente os candidatos ao sacerdócio ou à vida religiosa, sem poderem assim prover às necessidades espirituais de suas ovelhas. Participamos de suas ansiedades e a eles também dizemos como São Paulo aos Coríntios: "Não haja penúria para vós e alívio para os outros, mas igualdade" (2Cor 8,13). Todavia, não fechem ouvidos essas dioceses pobres à voz suplicante que pede auxílio para as longínquas expedições sagradas. O óbolo da viúva nos foi dado como exemplo pelo Senhor; se alguma diocese pobre ajudar a outra, não se tornará mais pobre por isso; seria impossível. Deus não se deixa vencer em generosidade". (Fidei Donum, 27).


Um Congresso Missionário para Seminaristas
É nesse sentido que, a pedido dos seminaristas, o Conselho Missionário Nacional (Comina) aprovou a proposta de convocar um Congresso Nacional de Seminaristas, com o tema: Formação Presbiteral para uma Missão Sem Fronteiras, e o lema: Chamados para estar com ele e enviados (Mc 3,14).

O Congresso conta com o apoio das Pontifícias Obras Missionárias; da CNBB, mediante a Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial e da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada; e da Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (Osib). Será realizado de 4 a 10 de julho, em Brasília, DF. É prevista a participação de cerca de 150 seminaristas, 30 formadores e 20 convidados. O objetivo é estimular o engajamento sempre maior dos aspirantes ao sacerdócio na Missão universal da Igreja.

Savio Corinaldesi, SX, Secretário Nacional da Pontifíc ia Obra de São Pedro Apóstolo e da Pontifícia União Missionária.

Fonte: www.pom.org.br

Nenhum comentário: