terça-feira, 4 de novembro de 2008

Juventude e santidade

“Sede santos, assim como vosso

Pai celeste é santo”. (Mt 5, 48)

Novembro nos estimula a refletir sobre a santidade. O primeiro dia do mês nos apresenta a celebração de Todos os Santos, convidando-nos a olhar para nossa vida. O que estamos fazendo para alcançar este estágio?

Juventude e santidade são duas palavras que para muitos combinam, mas, para alguns, parecem estar em contradição. Ainda assim, me atrevo aqui a dar algumas pinceladas sobre elas. A primeira coisa que devemos fazer é nos perguntar se de fato, juventude e santidade são palavras que não combinam. Uma observação necessária é definir o que é santidade. Quando mencionamos esta palavra, imaginamos duas coisas: as imagens dos santos e santas das nossas igrejas e uma realidade impossível de ser vivida para a grande maioria. Algo muito difícil, que não conseguiremos nunca e achamos que só os mais certinhos, quietinhos, calados, beatos (diriam alguns) é que conseguem viver. Será que santidade é isso? O apelo a viver a santidade nos vem de Jesus: “Portanto, sede santos, assim como vosso Pai celeste é santo” (Mt 5, 48). Paulo usa a palavra “santo” para se referir aos cristãos das comunidades. A palavra “santo” não pode ser confundida com as estátuas das nossas igrejas, mas deve ser vista como um convite a viver a vida num estilo diferente: o estilo de Jesus. Quase todos já escutamos aquela canção do padre Zezinho que diz “Amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou, viver como Jesus viveu, sentir o que Jesus sentia, sorrir como Jesus sorria e ao chegar ao fim do dia eu sei que dormiria muito mais feliz”. A palavra chave é a palavra final: “feliz”. Santo é aquele que é feliz. Assim o convite à santidade é um convite à felicidade, não entendida como o mundo a quer fazer parecer, mas como proposta de vida de Jesus.

Busca dos jovens

Os jovens têm dentro de si a busca pela felicidade, aliás, é algo que faz parte da natureza humana. Deste modo, juventude e santidade têm tudo a ver. No entanto, ainda precisamos corrigir a imagem distorcida que transmitem sobre a juventude. Os jovens são irresponsáveis, inconseqüentes, vivem segundo o mundo e longe das coisas de Deus... Será que são tudo isso? Creio que os jovens de hoje são tão capazes quantos os do passado, continuam sonhando, ousando, arriscando. Mesmo que as dificuldades para se tornarem o “sal da terra e a luz do mundo” (Mt 5, 13-14) sejam hoje maiores do que nunca, temos inúmeros exemplos de santos jovens, alguns já reconhecidos como tais pela Igreja, outros tantos ainda no anonimato.

A vida de santidade é viável, pois, Deus nunca nos convida a algo inatingível. As coisas impossíveis, só a Ele pertencem. Este é um convite a nos despojarmos das vestes da antiga criatura para “vestir” a roupa nova que nos vem com o nosso batismo, quando nos tornamos cristãos, isto é, pertencentes ao grupo daqueles que se revestem de Cristo. A santidade está nas pequenas coisas do dia-a-dia, em realizar as coisas da melhor maneira possível, não basta fazer por fazer, mas é preciso fazer bem feito. Se você é estudante, estude da melhor forma que é capaz; se você já trabalha, trabalhe da melhor maneira que consiga; procure participar de algum grupo empenhado na transformação do mundo, no exercício da cidadania. Acredite, já está começando o seu caminho de santidade e ao “final do dia eu sei que você dormirá muito mais feliz”.

Patrick Gomes Silva, imc,

membro da equipe de formação do

Centro Missionário José Allamano, SP.

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