quinta-feira, 6 de outubro de 2011

@Juventude Missionária

Em outros tempos quando se falava de mês missionário éramos logo levados a pensar naquelas regiões onde a Igreja ainda não se havia implantado plenamente: a missão “Ad Gentes”, título do decreto do Concílio Vat. II sobre a vocação missionária da Igreja. Outro aspecto, entretanto, da missão, a missão “ad intra”, para afervorar a vida cristã em nações onde a Igreja já está solidamente constituída, é igualmente importante. Todos temos notícia das missões pregadas, de tempos em tempos, pelos padres missionários. Era uma graça extraordinária que renovava a fé e melhorava a vida moral de nossa gente, recordando-lhe as verdades fundamentais da fé católica e os mandamentos da lei de Deus, tendo na confissão sacramental, na legitimação de casamentos e na comunhão eucarística seu momento alto.

Os novíssimos - morte, juízo, inferno paraíso – eram a grande motivação da catequese das missões. As missões evoluíram no sentido de se tornarem um momento forte de evangelização e de organização das paróquias de modo que o trabalho dos padres missionários tivesse continuidade através da liderança do pároco e da participação de fieis leigos especialmente tocados pelo anúncio missionário. A grande novidade de Aparecida, sob a influência decisiva do Pontificado do Bem-Aventurado João Paulo II, consistiu em convocar a Igreja toda, ministros ordenados, religiosos(as) e fieis leigos(as) a assumir com vigor e ardor a dimensão missionária, que permanentemente brota do mistério da comunhão trinitária do qual a Igreja nasce e vive, prolongando no tempo as missões do Filho e do Espírito Santo. O tema da V Conferência concentrou-se nisto: “fazer discípulos missionários”. Esta foi de fato a ordem de Jesus: “Ide, pois, e fazei discípulos de todas as nações, batizando-as...”(Mt 28,19). Em Atos Jesus fala da vinda do Espírito Santo e afirma: “sereis, então minhas testemunhas...até os confins da terra”(1,8). A razão da urgência missionária está nisso: que em Cristo todos tenham vida. Para caracterizar as transformações culturais por que passa a humanidade o DAp fala de mudança de época, caracterizada pela erosão dos valores tradicionais, por um grande pluralismo que acaba por introduzir um relativismo cuja consequência é um enorme vazio de sentido para a vida, que atinge com especial virulência a juventude.

De Aparecida brotou como seu fruto imediato a “Missão Continental” á qual assim se referiu o Papa Bento XVI: “para mim foi motivo de alegria conhecer o desejo de realizar uma MISSÀO CONTINENTAL que as Conferências Episcopais e cada diocese são chamadas a estudar e a realizar, convocando para isso todas as forças vivas, de modo que, caminhando a partir de Cristo, busque-se sua face”. A Missão Continental não pode ser entendida como um momento transitório, ainda que intenso, de empenho missionário, mas deve ser entendida como uma conversão profunda e permanente da Igreja em suas estruturas, a partir do coração das pessoas, de modo que o anúncio do evangelho flua permanentemente para as pessoas e para a sociedade. Neste sentido as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) nos oferecem um roteiro sintético e objetivo de reflexão e de indicações para implantarmos em nossas paróquias e em outras instituições eclesiais – centros de ensino, pastorais e movimentos - as propostas de Aparecida.

Esse processo acontecerá na medida em que houver comunidades vivas de discípulos que haverão de brilhar como luz no coração do mundo. Viveremos no Brasil até o grande encontro de jovens no Rio de Janeiro, em 2013, um significativo processo de animação missionária de nossa juventude. Bento XVI deu-nos como lema da Jornada Mundial da Juventude exatamente a proposta de Aparecida: “Ide, pois, e fazei discípulos entre todas as nações”.

O Papa, na mensagem aos jovens em Madri, falou da necessidade de ouvir a palavra de Cristo, “Amigo que não engana” e advertia: “Bem sabeis que, quando não se caminha ao lado de Cristo, que nos guia, extraviamo-nos por outras sendas como a dos nossos próprios impulsos cegos e egoístas, a de propostas lisonjeiras mas interesseiras, enganadoras e volúveis, que atrás de si deixam o vazio e a frustração”. Jovens, sejam missionários de seus irmãos de juventude, não os deixem morrer de fome.

Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues
Arcebispo de Sorocaba - SP
FONTE: http://catecismojovem.blogspot.com

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