sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Coração Universal

No coração dos jovens palpita o pulso do mundo” – Karol Wojtyla

Nestes dias precisei renovar um documento importante e perguntaram-me sobre o meu tipo sanguíneo. Sou de fator Rh- (melhor conhecido como O-). Embora seja de tipo universal, devido ao meu histórico clínico, não posso doar sangue. Eventualmente, posso receber transfusões em caso de emergência...

Lembrei-me dos meus tempos de mocidade, quando nas aulas de biologia aprendi que um indivíduo com tipo de sangue O- é chamado de doador universal, porque ele pode doar seu sangue para qualquer pessoa. Já o indivíduo com tipo de sangue AB+ é chamado de receptor universal porque ele pode receber sangue de qualquer pessoa...

Espontaneamente pensei no tipo sanguíneo como metáfora: para alguém que faz como opção de vida servir ao próximo, o fato de ter sangue O- (ser doador universal) pode contribuir a reforçar a convicção de que a vida só tem sentido quando ela se abre a outras vidas. Essa idéia me acompanhou durante vários dias. Ficou ressonando na cabeça e foi calando no coração. E a metáfora ampliou-se, incluindo novos elementos: o mundo e os jovens de hoje.

Do mundo, além da crise econômica e ambiental que todos, de uma ou de outra forma começamos a sentir na própria pele, situações como as mortes no sul do país por causa das chuvas, os atos terroristas na Índia, a intolerância religiosa na Nigéria e os conflitos no Congo (por citar alguns recentes acontecimentos), fizeram-me imaginar o mundo como um receptor do tipo AB+, ferido e necessitado de sangue generoso para manter-se vivo e com o coração batendo...

Depois veio à minha memória outra metáfora usada num poema pouco conhecido de Karol Wojtyla (portanto, escrito quando ele ainda não era João Paulo II): “No coração dos jovens palpita o pulso do mundo...”. E pensei então nos jovens de ontem e de hoje: em tempos de crise, algumas décadas atrás, a juventude mostrou realmente ser uma caixa de ressonância dos sonhos e das lutas do mundo de então... Fiquei inquieto, perguntando-me se hoje, apesar da globalização das comunicações, do fácil e instantâneo acesso ao diagnóstico sobre o estado de saúde da humanidade, os jovens ainda continuarão a ser a força vital que faça palpitar o desejo e o compromisso por um mundo melhor.

Fechei os olhos e orei, pedindo para mim e para tantos jovens que tenho encontrado no meu caminho, além de sangue, um coração compatível com as angústias e as esperanças do nosso mundo um coração de tipo “O-”: aberto, solidário, universal...

Gustavo Covarrubias Rodríguez

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